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16.03.17

Eletricidade: quem está seguro na escola?

O retorno às aulas, tanto na rede pública, como particular, é um período adequado para refletir sobre riscos associados ao ambiente estudantil. Em salas de aula, quadras esportivas, ginásios, refeitórios ou banheiros, um perigo nem sempre visível é a falta de manutenção ou inadequação das instalações elétricas.

O ano passado terminou com 599 acidentes de origem elétrica, segundo a Associação Brasileira para Conscientização sobre os Perigos da Eletricidade – Abracopel. Desse total, 37 ocorreram em escolas: houve oito casos de choque elétrico e 28 incêndios causados por curto-circuito. Esses acidentes levaram à morte três estudantes, com idade entre 11 e 15 anos.

adriano menorÁreas com maior proximidade entre água e eletricidade, como cozinhas e lanchonetes, são locais de grande risco: “A água ou umidade, sempre presentes nesses ambientes, aumenta a probabilidade de choque elétrico”, diz o chefe da Divisão Técnica da Agência Regional Florianópolis, eng. Adriano Luz (na foto, à esq.).

O perigo é confirmado pelos dados da Abracopel. Em 2016, houve 35 mortes por acidente durante o uso de eletrodomésticos como geladeiras, micro-ondas e máquinas de lavar.

“Equipamentos industriais de cozinha tem grande demanda de energia. Por isso, facilmente pode aquecer a fiação elétrica que os alimenta, gerando curto-circuito e até incêndio, se as instalações estiverem inadequadas”, afirma o engenheiro.

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Outros casos - As extensões, os famosos benjamins ou “Tês”. Assim como nas residências, o uso deles é bastante comum nas escolas: “O uso de extensões requer muito cuidado, pois elas também podem gerar sobreaquecimento da fiação”, recomenda Adriano. Os dados para acidentes envolvendo extensões são graves: em 2016, foram 33 acidentes com 30 mortes.

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Na prática, o relatório da Abracopel demonstra que qualquer ambiente escolar pode apresentar riscos. Dois casos mostram o perigo de fios desencapados em pátios e quadras esportivas.

Em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, um aluno de escola pública tomou choque durante uma aula de educação física. Ele sobreviveu, mas outro aluno, de Itanhém, na Bahia, não teve a mesma sorte. O choque elétrico, após pisar sobre um fio desencapado no pátio da escola, foi fatal.

“Esses acidentes seriam evitados se a instalação elétrica estivesse em ordem”, destaca Adriano. Ele se refere ainda a um dispositivo que salva vidas: “O Dispositivo Diferencial Residual, ou DR, que funciona como um disjuntor. Ao captar uma fuga de corrente, ele desliga todos os circuitos em questão de milissegundos, impedindo que a corrente elétrica chegue até a pessoa e cause o choque”.

Uma fuga de corrente só acontece quando algo não está correto na instalação: “Além de passar dicas de segurança aos filhos, os pais devem conversar com professores e diretores para verificar se tudo está em ordem e observar as condições do ambiente escolar. O descuido, nesse caso, pode ter uma consequência irreversível: a perda de uma vida”.

 

Saiba Mais

O DR é um dispositivo que detecta fugas de corrente (modelos abaixo), ou seja, quando existe um vazamento de energia dos condutores. Ele desarma os disjuntores onde está o problema, evitando acidente com choque elétrico. No entanto, para ser realmente eficaz, um sistema de aterramento precisa ter o fio terra e o DR, ambos adequadamente instalados.


dispositivo DRO dispositivo DR é obrigatório, de acordo com o item 5.1.3.2.2. NBR 5410, desde 1997, nos seguintes casos:

  • Em circuitos que sirvam a pontos de uso em locais que tenham banheira ou chuveiro;
  • Em circuitos onde há alimentação de tomadas localizadas em áreas externas a uma edificação;
  • Em circuitos que sirvam a pontos de uso em copas, cozinhas, áreas de serviço, lavanderias, garagens e outras dependências internas, que sejam sujeitas a lavagens;
  • Em circuitos que alimentam tomadas em áreas internas e que possam vir a alimentar equipamentos em uma área externa.

O dispositivo DR pode ser usado por ponto, por grupo de circuitos e por circuito. A exigência de proteção adicional por meio deste tipo de dispositivo com alta sensibilidade se aplica nas tomadas de corrente nominal com até 32 Amperes (unidade de intensidade de corrente).  Fonte: ABNT.

 

 Por Vânia Mattozo - Assessoria de Comunicação Celesc.